Nove de Paus
Numa tiragem, esta carta fala do desejo de se defender e da capacidade da pessoa para lidar com os problemas.
Numa tiragem, esta carta fala do desejo de se defender e da capacidade da pessoa para lidar com os problemas.
Esta autodefesa pode ser interpretada tanto positivamente como negativamente. Trata-se de adquirir a 'Grande Força', a capacidade de suportar qualquer prova de resistência, de enfrentar dignamente qualquer dificuldade e desafio da realidade (e não de recuar desesperadamente perante eles). O significado primordial desta carta é 'coragem sob fogo'.
Rodeada por cartas negativas, a antiga interpretação soa como 'desgraça que se aproxima'.
No entanto, desde tempos remotos, o Nove de Paus tem sido considerado uma carta de vitória, quase no mesmo grau que o Seis de Paus. Em comparação com este, tem menos 'pompa e parada', é a carta da vontade e da força interior pessoal do consulente. Portanto, esta carta pode ser considerada um bom sinal se sair a uma pessoa confrontada com sérios problemas ou perigos.
Esta é a carta do domínio, da força e da coragem; a sua energia informa sobre a capacidade de resistir nas situações mais difíceis. Se partirmos do princípio de que 'boas' interpretações não implicam tensões, então o Nove de Paus é uma carta difícil, pois descreve o confronto de algumas forças (na presença de Arcanos Maiores – bastante grandes).
Na maioria das vezes, indica a incompletude da situação, seja um 'Gestalt inacabado' do passado, uma situação presente não totalmente definida ou a ausência de um resultado final no futuro (isto é geralmente característico de todos os Noves). Por vezes, com esta carta, ocorrem atrasos, e somos forçados a esperar tensamente por algo. O Nove de Paus significa teimosia, resistência a alguma situação ou evento do qual esperamos apenas aborrecimentos. Ao mesmo tempo, diz que provavelmente não há ameaça nenhuma, apenas as nossas memórias de aborrecimentos anteriores, daí o nosso atual estado 'defensivo'.
O soldadinho de chumbo firme no cumprimento do dever. A pessoa do Nove de Paus está pronta para enfrentar quaisquer perigos, para proteger posições anteriormente conquistadas. Esta carta é considerada uma espécie de Força dos Arcanos Menores. Nela se manifestam realmente a determinação, a força, a coragem, a perseverança. A pessoa, mesmo ultrapassando os seus limites (e a zona de conforto – com certeza!), cansada, 'ferida', não se rende, não se permite abandonar o posto, não deixa de exigir muito de si mesma, submete-se a novas provações e realiza novas proezas.
Esta carta abrange tanto a expectativa desconfiada de dificuldades, como a capacidade de planear sabiamente a sua atividade e a prontidão para empreender qualquer ação necessária a qualquer momento. É uma pessoa que segue o seu curso e sabe que as suas batalhas não são em vão. Caracterizam-na não só o desejo de se defender, mas também o auto-respeito e a dignidade. É um grande especialista em defender os seus interesses (por vezes, também os de outros).
A pessoa do Nove de Paus é também mestre em fugir do passado e em fechar a porta atrás de si. No entanto, ocupa-se principalmente a vigiar essa porta – para que ela não se volte a abrir. Escuta desconfiada cada eco que dela provém e, se for caso disso, está pronta a manter-se em alerta.
Isto significa apenas uma coisa – ele não está livre do passado com que rompeu. Ele ainda o mantém à sua porta, impedindo-o de dar um passo em direção ao futuro. Para se libertar dele, para deixar de ser seu refém, o Nove de Paus ainda terá de o libertar completamente de si, transformando-o no fundamento de futuras transformações na vida.
Rodeada por cartas negativas, o Nove de Paus pode indicar opressão, ansiedade e cansaço da vida (tudo é feito 'com as últimas forças').
O Nove de Paus é a razão vigilante que zela para que a vontade não enfraqueça. Na famosa oração em que se pede a Deus forças para mudar o que se pode mudar; serenidade para aceitar o que não se pode mudar; e sabedoria para distinguir sempre uma coisa da outra, o Nove de Paus corresponde à terceira parte.
É o autocontrolo constante, a pessoa não se permite desleixar-se. O pathos desta carta é a vigilância, o ter sido provado na ação, a consciência dos atos. Crowley e Ziegler enfatizam a unidade do consciente e do inconsciente, da qual decorrem a integridade e a força. O enorme potencial do inconsciente, até agora não utilizado, pode agora ser direcionado para a realização do objetivo, e isto dá uma sensação de grande força, a pessoa pode até ter medo dela. Esta força pode transformar todos os aspetos do seu ser.
Ziegler escreve: 'A germinação da autorrealização não permite regressar à situação familiar de fraqueza e ignorância'. Esta frase complexa e um tanto patética torna-se, no entanto, completamente compreensível para quem, pelo menos uma vez na vida, defendeu a si mesmo, porque 'superou' a situação que o atormentava e deixou de ser impotente perante ela.
A saída da energia para além dos limites que pareciam inabaláveis – esta é a experiência fundamental, o início de um desenvolvimento de longo alcance do potencial interno (a Torre, a propósito, é uma grande ajuda aqui). A pessoa compreende que é capaz de mais. A confiança e o desejo de se desenvolver não provêm da mente consciente (que pode até enganar-se a si mesma quanto a isso), mas diretamente do inconsciente. Este emite um poderoso fluxo de energia, que entusiasma a pessoa, ajudando-a a sentir os seus recursos e potencial, a confiança nas suas capacidades.
A carta diz tudo o que um orientador de tese pode dizer a um aluno finalista – não te acanhes perante as perguntas da comissão ('coragem sob fogo'), acredita em ti, avança com esperança na vitória, não dê tréguas. Como as defesas de tese não são dadas de graça a ninguém, a carta fala de tensão, ameaça, necessidade de suportar a pressão. Indica a expectativa psicológica de dificuldades e mudanças, por vezes de inimigos ocultos.
Esta é também uma carta de proteção e autodefesa em sentido psicanalítico (contra a mudança de conceção de si mesmo). Pode ser o medo do próprio inconsciente, o receio de reabrir velhas feridas. Fala também da capacidade da pessoa de se afastar com sucesso do passado, de romper com ele, de abandonar velhos hábitos, de queimar pontes. 'A porta para o passado fechar-se-á com tanta força que de lá não se ouvirá mais um único som'. Atingir um novo nível promissor (embora à custa do típico desgaste do vencedor).
O Nove de Paus significa a penetração noutros níveis de consciência. Esta carta simboliza o início da visão de si mesmo sob uma luz diferente. A nível social, isso pode traduzir-se na escolha de um novo sistema de valores (e, por vezes, de falsas autoridades que, no entanto, alimentam emocionalmente a sensação de força). Através do número nove, penetra a forte influência de Neptuno; a carta está muito ligada precisamente às autoridades, à pertença a uma determinada tradição cultural, visões, sistema de valores.
O aspeto da pessoa na carta diz que ela acabou de suportar uma difícil batalha e ainda está a viver disso, ainda olha à volta à procura de inimigos. Não sabe ou não quer procurar formas de comunicação que lhe permitam evitar conflitos futuros. E em vão: não é preciso brandir as armas, não é preciso esperar um ataque, muito provavelmente não haverá mais. É tempo de se ocupar de assuntos pacíficos, talvez de finalmente trabalhar em si mesmo, dedicar forças e tempo ao desenvolvimento espiritual, diz esta carta. Na posição invertida, significa que talvez ainda seja necessário repelir um golpe, mas será o último.
A segunda década de Sagitário simboliza a expansão da consciência, o seu domínio sobre o mundo e a expansão a todas as esferas do ser. O seu regente tradicional é a Lua. A energia aqui transforma-se numa elevada recetividade a ideias e sentimentos e na compreensão intuitiva do quadro completo do mundo, o que contribui para a construção de uma visão do mundo sólida. O apoio nas tradições passadas serve de fonte de riquezas espirituais e de conhecimento prático do presente.
Sagitário não se apoia em si mesmo, mas no que está escondido atrás de si: na sua visão do mundo e nos ideais objetivos da sociedade. É-lhe característico idealizar a experiência do passado. Esta é a década mais romântica do Zodíaco, estabelecendo uma ligação viva com o passado e extraindo espiritualidade da profundidade dos séculos. É movida pelo desejo de independência, pelo amor a viagens e a outras culturas, bem como pela tendência a assumir a responsabilidade pelo que acontece, por vezes maior do que a pessoa pode suportar.
A expansão excessiva leva à dispersão da personalidade (o que Júpiter em conjunção com a Lua pode dar). E para não fazer promessas vazias, dando falsas esperanças aos outros, é importante controlar a conclusão de cada fase da atividade segundo o princípio: 'Acabou o trabalho, podes divertir-te à vontade!'. A eficácia do trabalho reforça a confiança nas suas ideias e dá impulso a novas conquistas.
No entanto, ao contrário de outros noves, o Nove de Paus reflete mais o carácter de Peixes do que o de Sagitário. A influência de Neptuno é aqui mais forte e a de Júpiter mais fraca. Simboliza a expectativa de dificuldades e mudanças, a antecipação de períodos turbulentos da vida e o pressentimento dos mesmos, o prever da inimizade.
Luz e sombra (conselho e advertência)
Conselho: deixar de lado a insegurança e fazer aquilo para que não tinha coragem. A carta diz: continua persistentemente a tua atividade e alcançarás o desejado. O resultado favorável está próximo. É importante não ceder a ilusões e não dar tréguas. Apostar na habilidade, experiência, disciplina e defender persistentemente os seus interesses.
Sombra: ilusão da própria grandeza e abordagem demasiado rígida aos problemas da vida.
Planeamento inteligente da atividade, alta autodisciplina, capacidade de lidar com dificuldades e problemas, novamente – coragem sob fogo. Trabalho bem feito, tarefas realizadas com sucesso (We did it!). Cansaço com disponibilidade para ainda lutar e defender-se – a situação está quase concluída, mas ainda não totalmente, pelo que a carta pode ser definida como uma prova de resistência. Sabe-se que quanto mais perto do objetivo, maior a resistência, e a escuridão é mais densa antes do amanhecer. Interpretação antiga – uma pequena pausa na luta contínua.
Esta carta envolve o pressentimento da oposição de alguém, a previsão das ações dos concorrentes ou malfeitores. Por tradição, esta carta assinala o lado vencedor.
Aqui, a simbologia fala por si. O personagem principal do Arcano é um homem de cerca de trinta anos, vestido com roupas de plebeu e trabalhador. Está sozinho, mas olha com desconfiança para alguém que parece prestes a entrar no espaço do Arcano, expressando com toda a sua postura uma calma prontidão para se defender (e assemelhando-se assim ao Arcano 'Força'). A sua cabeça está ligada, como se estivesse ferido, mas não aparenta estar a sofrer muito. Está pálido, com olheiras, como depois de noites de trabalho insones, e parece um cansado e desgastado estudante finalista, a aguardar desconfiado a comissão e pronto a defender-se, não a desistir. Ao longo deste trabalho, a pessoa embora cansada, aprendeu a planear e a ter disciplina, adquiriu uma nova habilidade de nível superior à anterior.
Agora está pronto para o confronto, para mostrar aquela 'coragem sob fogo'. A paliçada atrás das costas são as posições anteriormente conquistadas, o que ele defende. A carta do estudante dos últimos anos de uma instituição de ensino séria – ainda modesto, mas já sábio pela experiência colossal de estudo, com a qual os caloiros nem sonham (do ponto de vista deles, ele faz o impossível). Pesado no aprendizado, fácil na luta. Ele está frequentemente com sono, pálido, com olheiras (e talvez com ligaduras em vários sítios), o trabalho e o cansaço são normais para ele, mas não pensa em desistir e já adquiriu habilidade e aprendeu a ter disciplina e coragem. Está habituado a fazer o impossível sob a orientação do seu orientador, que não o deixará desistir. Prova de resistência e prontidão para lidar com os problemas.
Esta carta abrange polícias e investigadores, bombeiros, operadores de central, trabalhadores de equipas médicas e de emergência. Esta é a carta profissional de seguranças de todos os tipos, trabalhadores de serviços de segurança e defensores experientes dos interesses alheios (por exemplo, advogados).
Tradicionalmente – carta de sucesso financeiro, indicadora de que, na esfera material da vida, tudo está bastante bem (pelo menos, as contas são equilibradas). A pessoa alcançou os objetivos anteriormente traçados e agora colhe os frutos do seu próprio zelo e diligência.
Na prática das observações modernas, é mais uma proteção contra credores, tentativas de se manter à tona ou de não deixar dispersar os recursos existentes. A carta pode descrever também tentativas de recuperar após alguns abalos e oposição a extorsões; em qualquer caso, não é a situação mais serena.
A capacidade-chave do Nove de Paus é a capacidade de exercer forte oposição. E a quem – ao rival ou ao potencial parceiro – outras cartas o mostrarão. Com esta carta, pode-se defender tanto uma relação como a liberdade dela.
Esta é a carta da resistência na solidão – a pessoa defende-se ativamente contra as investidas sobre si. Talvez a causa seja algum trauma passado, uma experiência dolorosa (não é por acaso que a personagem na carta está com uma ligadura e de postura defensiva e desconfiada, como à espera do aparecimento de inimigos). As 'fortificações militares' do Nove de Paus são erguidas pelo ego que sente necessidade de se isolar e de se defender a si mesmo das ameaças. O parceiro descrito pelo Nove de Paus está desconfiado e precavido. Não confia no consulente e está pronto para a autodefesa se for caso disso. Tem, como se diz, um 'carácter forte'. Nas relações, a carta pode indicar afastamento, distanciamento um do outro, cansaço. As emoções vivas e a troca mútua estão pouco ligadas a esta carta.
O Nove de Paus personifica o estado de alma que nos contos de fadas se chama 'coração frio'. Em linguagem corrente, isto significa que nos eriçamos e nos opomos a quaisquer mudanças, embora desconfiemos que elas possam ser muito importantes para o nosso desenvolvimento futuro. Embora, por vezes, possa significar algo diretamente oposto – se, por exemplo, demos um passo decisivo e fechámos todas as portas à retirada.
Como indicador de doença, pode falar de lesões na cabeça, concussão cerebral, também de fadiga crónica e falta de atenção, exaustão energética.
Uma das interpretações tradicionais informa que o aparecimento desta carta indica uma doença que requer uma luta séria, saúde debilitada por esforço excessivo.
O Nove de Paus invertido é considerado uma indicação de saúde debilitada, precária, e problemas no sistema imunitário (o organismo tem dificuldade em 'defender-se').
O Nove de Paus invertido é, desde há muito, considerado um mau presságio. Esta é uma carta de, pelo menos, obstáculos e atrasos, problemas e aborrecimentos; no pior dos casos, de fracasso, perda e desastres. O que a pessoa zelosamente defende na carta direita, na invertida é-lhe tirado debaixo do nariz. Isto também se aplica a problemas que surgem de um dia para o outro. É também uma carta que diz que a experiência não ensina nada – a pessoa volta a pisar o mesmo ancinho que já lhe bateu na cabeça uma vez.
Na posição invertida, a carta indica rigidez de pensamento, estreiteza de visão, mente fechada, perda de contacto com a realidade. Indica-se frequentemente que a pessoa luta contra o que não tem importância principal (trata os sintomas, não a causa) ou defende algo que não vale a pena, e esta situação apenas lhe tira energia. Esta carta aconselha a abandonar tal comportamento.
Períodos mortos no trabalho, ponto de retrocesso, regressão no desenvolvimento. Má saúde – a pessoa ainda tende a confiar em si mesma, mas as forças traem-na.
Com a Força – grande resistência, determinação e coragem
Com o Sete de Paus – defesa da própria opinião e dos próprios direitos
Com o Dois de Espadas – excecional isolamento, rejeição, repulsa
Três de Copas – diminui o isolamento e a desconfiança do Nove de Paus
Com o Oito de Copas – cansaço, esgotamento dos recursos para a luta e o confronto
Com o Oito de Ouros – excecional perseverança
A famosa oração: Senhor, dá-me forças para mudar o que posso mudar, serenidade para aceitar o que não posso mudar, e sabedoria para distinguir uma coisa da outra.
'Que os sinais deixados pelas tuas batalhas sejam sinais de honra e conquistas'.
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