Valete de Espadas
Todos os Valetes personificam as oportunidades que se abrem no caminho da vida; no entanto, as perspetivas oferecidas pelo Valete de Espadas geralmente não causam entusiasmo. São complicações imprevistas. O aparecimento do Valete de Espadas na tiragem, desde há muito, avisava o consulente de que ele devia estar preparado para as provações vindouras e para a imprevisível perfídia do destino. A tensão aumenta, será preciso encontrar uma saída para a situação e, por enquanto, é necessária vigilância e prontidão para qualquer desenvolvimento dos acontecimentos. No entanto, outras cartas da tiragem podem lançar luz sobre qual poderá ser esse desenvolvimento.
Todos os Valetes personificam as oportunidades que se abrem no caminho da vida; no entanto, as perspetivas oferecidas pelo Valete de Espadas geralmente não causam entusiasmo. São complicações imprevistas. O aparecimento do Valete de Espadas na tiragem, desde há muito, avisava o consulente de que ele devia estar preparado para as provações vindouras e para a imprevisível perfídia do destino. A tensão aumenta, será preciso encontrar uma saída para a situação e, por enquanto, é necessária vigilância e prontidão para qualquer desenvolvimento dos acontecimentos. No entanto, outras cartas da tiragem podem lançar luz sobre qual poderá ser esse desenvolvimento.
Como todos os Valetes, o Valete de Espadas indica a receção de uma notícia inesperada. De acordo com o seu naipe, muito provavelmente será mesmo 'informação para reflexão'. É, provavelmente, com o Valete de Espadas que Stirlitz recebia as suas inesquecíveis mensagens cifradas ('Stier para Alex…'). A propósito, antigamente, o Valete de Espadas estava intimamente associado a batedores, espiões e missões secretas de espionagem. É claro que, em combinação com cartas desfavoráveis, provavelmente se terá de lidar com uma notícia ruim. Pode não ser tão significativa, mas sim ruim e psicologicamente desagradável, como a notícia da mentira de alguém, de uma fofoca lançada, de uma pequena armadilha. Esta informação pode ser vivida como um grave 'cuspir na alma' ou como 'pequenos respingos' – de qualquer forma, pouco agradável, pois neste caso não serão certamente respingos de champanhe. O naipe predominante na tiragem pode sugerir quem procura brigas e porquê.
Os significados tradicionais do Valete de Espadas são o dedo-duro e o espião, o falso amigo, o traidor, o agente duplo, a pessoa pouco fiável. Do ponto de vista moderno, o seu aparecimento na tiragem significa que alguém está a observar o consulente atentamente. Esta carta também indica a probabilidade de um conflito deflagrar. É o mensageiro de um impulso crítico e hostil. Pode sugerir que a situação é difícil de esclarecer devido a uma abundância de informações negativas não diretamente relacionadas com o assunto (como acontece a cônjuges em processo de divórcio que têm dificuldade em chegar a acordo sobre questões práticas banais).
No entanto, há tipos de tiragens e perguntas em que o seu aparecimento só pode ser bem-vindo. Uma das vantagens indiscutíveis do Valete de Espadas é a atividade e a mobilização. Esta não é, certamente, a carta do desamparo ou de ficar de braços cruzados. O Valete de Espadas pega no assunto, pensa em como conseguir o que quer, entra na discussão, arma-se, procura reforço na pessoa dos seus simbólicos parentes 'espadinhas'… enfim, toma alguma iniciativa. Está sempre 'dentro do assunto', 'na atividade', 'na corrente'. Se for preciso, como se diz, 'dar a volta', ninguém o fará melhor do que ele. Se for necessária a capacidade de estar alerta e de ter consciência do perigo, também é bom. Como todas as Espadas, ele propõe esclarecer a situação. Como em todas as Espadas, a sua espada é de dois gumes – traz clareza de um lado e conflito do outro. Em combinação com cartas favoráveis, significa uma certa lufada de ar fresco, graças à qual de repente se nos revela o verdadeiro sentido do que se passa, e até o assunto mais complicado se torna simples e compreensível. Na maioria das vezes, no entanto, isso acontece através do confronto, de uma conversa dura.
Esta carta propõe usar a cabeça. Neste momento, há todas as razões para julgar o trabalho realizado ou a ação que se completou, indicada pelas cartas seguintes. Os resultados já se manifestaram, é preciso vê-los e avaliá-los. O Valete de Espadas gosta de assinalar situações em que algo é feito com demasiada pressa.
Um pouco malicioso e intelectualmente mobilizado. A mente crítica está ativada, a vontade de ultrapassar contratempos, a autoconfiança. Pode manifestar-se alguma rigidez nas relações com os outros – frieza, ações duras para esclarecer a situação, sem sentimentalismos, franqueza. Esta pode ser uma carta bastante positiva de racionalidade, assertividade, agilidade, vigilância, dureza, astúcia, garra.
Irmão mais novo do Cavaleiro de Espadas, o Valete de Espadas também pode ser descrito como divertido e insuportável. É uma personalidade bastante astuta e corajosa, que age ativamente nos seus próprios interesses. Caracteriza-se pela perspicácia, até à curiosidade excessiva. A sua antiga avaliação – inteligente, pérfido, maldoso, capaz de causar dano ao consulente (mesmo que não lhe seja inimigo, fará algo que garante a inimizade). Ao contrário do seu irmão mais velho, não está ainda pronto a esmagar todos os que se atravessam no seu caminho – simplesmente não tem forças suficientes.
Geralmente, o Valete de Espadas é uma pessoa que se interessa por tudo. Tem tanta energia vital que a gasta tanto em si como nos outros (naturalmente, sem perguntar a esses 'outros' se eles querem essa intromissão na própria vida).
Geralmente, o Valete de Espadas representa um jovem (independentemente do género) que está a descobrir o mundo à sua volta e a tentar compreender as leis pelas quais ele vive. Ainda é ingénuo, inexperiente, está muitas vezes a estudar em algum lugar e, provavelmente, ocupa uma posição dependente. Por vezes, é simplesmente uma pessoa infantil, percebida como 'promissora'. Geralmente, desperta nos outros o instinto materno ou paterno, e muitas pessoas protegem-no com gosto (frequentemente, como se diz, com prejuízo para elas próprias). No melhor dos casos, o Valete de Espadas irradia uma astúcia encantadora, é espirituoso, hábil, gracioso, engenhoso. Não precisa de muito tempo para se preparar, pensar, decidir e reunir forças para dizer algo, propor, responder.
Tal como o Valete de Copas, o Valete de Espadas pode ser um ouvinte atento. Como dá a impressão de ser uma pessoa informada e que percebe do assunto, as pessoas confiam-lhe muitas vezes as suas dificuldades e interessam-se pela sua opinião. É muito possível que ele avalie corretamente a situação e dê um conselho inteligente… que será desagradável de seguir. Ao mesmo tempo, nunca se esquecerá de quem, o quê, porquê e por que razão lhe contou e certamente avaliará como isso pode ser aproveitado, se não imediatamente, algures no futuro. Na cabeça do Valete de Espadas, verdadeiro servo da sua corte espadinha, aperfeiçoa-se incessantemente a 'rede' de dados sobre os que o rodeiam, os seus feitos, planos e relações (o Facebook também foi criado por um estudante de Harvard). O Valete de Espadas não é um sonhador. Está em contacto cortante e denso com a realidade… tal como a vê. Nisto difere radicalmente do Valete de Ouros, que está realmente em contacto com a realidade tal como ela é. O Valete de Espadas perscruta, suspeita, analisa, modela o que se passa (quem, com quem, porquê e por quanto), monta a realidade como um conjunto de construção e não se importa de, quando possível, demonstrar que a montou. No fundo da alma, orgulha-se infantilmente das suas construções, que ainda não têm o fulgor e o brilho característicos das Espadas superiores. As suas conquistas diferem das conquistas do Rei de Espadas exatamente na medida em que um tweet espirituoso sobre a atualidade difere de uma teoria científica bem desenvolvida. No entanto, até o tweet de Valete pode granjear uma popularidade considerável na corte, e pode haver muito mais súbditos que o leiam do que aqueles que percebem bem a teoria do Rei.
Instintivamente, esta personagem comporta-se como uma 'lapa'. Apega-se ao poder na esperança de se fundir com ele e finge amizade enquanto isso lhe convém. Por natureza, provocador, implicante e rude, mestre em comentários depreciativos e alfinetadas hostis, o Valete de Espadas é, no entanto, capaz de desempenhar o papel de bajulador lisonjeiro se vislumbrar um proveito direto nisso. Não se pode confiar nele como amigo ('Contra quem somos amigos?'). É um camaleão de respeito e um brilhante fofoqueiro – sabe escolher o lugar, a hora e o correspondente. Mesmo que a fofoca lhe esteja na ponta da língua, pensará onde, a quem e quando a largar com o máximo efeito. Na prática, o maior perigo associado ao Valete de Espadas é a sua subestimação. Devido à sua juventude, parece que não tem força nem capacidade para causar dano. Na sua presença, fala-se sem pensar e sem o considerar, devido ao facto de ser adolescente ou subordinado. Assim, generais que guardam segredo com coronéis podem assobiar entre si um segredo militar na presença de um ordenança, porque não o consideram um pássaro minimamente significativo. No entanto, esse pássaro pode bicar em locais proibidos de forma bastante dolorosa. O Valete de Espadas gosta de testar as suas capacidades, sonha com a coroa dos seus pais simbólicos e com o cavalo do irmão mais velho; como ninguém, sabe apoiar-se nos outros, vazar informação para aqueles que são mais influentes, e com a ajuda deles resguardar-se para o caso de ser desmascarado. Porque faz ele tudo isto? Por uma experiência não científica. Todas as Espadas são, por natureza, investigadores e experimentadores. Será que o esquema funciona? Qual será a reação? O Valete de Espadas interessa-se sempre com curiosidade infantil pelas consequências das suas ações. Perderia todo o interesse se não chegasse a saber o que resultou disso, como terminou a partida e quem saiu vencedor. Ainda é demasiado novo para se sentar à mesa com trunfos na mão, mas tem inteligência suficiente para baralhar as cartas aos outros jogadores.
Antigamente, acreditava-se que esta era a carta dos ajudantes de ordens, embaixadores, cônsules, adidos, ou seja, funcionários do serviço diplomático, com a língua bem afiada e uma espantosa capacidade de se safar de situações complicadas. Ao mesmo tempo, a própria pessoa que possui tal habilidade, provavelmente, também acaba por ser 'escorregadia'.
O Valete de Espadas encarna aquela importante e difícil de digerir verdade da vida de que a crítica é mais útil para o desenvolvimento do que os elogios. Pode parecer-nos que nos estão a subestimar, a tentar menosprezar-nos ou a encurralar-nos, mas se conseguirmos olhar para a essência das observações sem emoções desnecessárias, veremos uma oportunidade para mudar algo, aprender algo, estabelecer um novo patamar para nós mesmos. E quanto mais atenta e autocríticamente ouvirmos o que nos dizem (mesmo no calor de uma discussão e com a intenção de ofender), mais conseguiremos extrair. Mesmo os críticos tendenciosos conseguem incitar-nos (e, por vezes, são precisamente eles!). Por vezes, vale a pena perder uma batalha para depois vencer a guerra.
Cada Arcano é um mistério e uma lição do ser. Aqui, confrontamo-nos com o facto de que uma pessoa inteligente obtém mais de um inimigo do que um tolo de um amigo. O Valete de Espadas é aquela porta da sabedoria através da qual aprendemos a valorizar os nossos inimigos tanto quanto os nossos admiradores, e a tratar os adversários com a mesma ternura que os amigos. Porque eles nos ensinam. Porque nos abrem os olhos para o que não queremos ver, mas devemos, caso contrário não poderemos dar um passo em frente. Ao olhar para trás, para o caminho percorrido, podemos descobrir que alcançámos mais precisamente quando nos opuseram. Talvez a 'síndrome de Estocolmo' não seja tão paradoxal quanto parece à primeira vista – intuitivamente, as pessoas sentem frequentemente que aqueles que as maltrataram fizeram algo verdadeiramente inestimável pelo seu desenvolvimento e força interior, algo que aqueles que as amam nunca fariam.
A carta representa um jovem esguio e flexível, que, com a espada na mão, está sobre uma terra revolvida e irregular. Parece excitado e desconfiado. Está rodeado por nuvens ameaçadoramente agitadas. Dez pássaros agitam-se no céu, simbolizando a multiplicidade de ideias e remetendo-nos para a 'superlotação' mental e o radicalismo do Dez de Espadas. Segura a sua espada como se fosse um brinquedo e, por enquanto, com as duas mãos (todas as outras personagens de Espadas são suficientemente fortes para a segurar com uma mão). O Valete de Espadas olha desconfiado à volta, pronto para enfrentar e repelir um ataque. Espera-o quase com impaciência, pois sabe o seu valor. No pain no gain. O Valete de Espadas é lógico e 'metálico'. Ao mesmo tempo, sente-se nele um espírito de irracionalidade (basta olhar para o seu penteado e pose de bailarino). O místico contemporâneo Pir Vilayat escreve que o Valete de Espadas é a aquisição de uma compreensão dolorosa que leva ao desenvolvimento. 'Sentes que o teu ser se preparou para este momento durante muito tempo. Provavelmente, foi um longo período de incubação durante o qual estiveste insatisfeito contigo mesmo, porque sentias conscientemente um enorme número de capacidades internas ocultas que não podias usar. E, de repente, ocorre a rutura das barreiras da consciência e obténs acesso a elas'.
O Valete de Espadas é um pensamento recém-nascido. Como qualquer pensamento, imagina-se divino e imortal (e provavelmente é-o) e, devido à sua juventude, comporta-se de forma arrogante. Este pensamento ainda não tem claro que o espera um certo caminho de desenvolvimento e que haverá uma grande diferença entre o que é agora e o que se tornará com o tempo. É um pensamento que, por enquanto, se esgota a si mesmo. Partindo da antiga sentença 'quanto mais sei, mais sei que nada sei', pois à medida que o círculo do conhecimento se expande, também se alonga a fronteira com o desconhecido, o Valete de Espadas é o ponto central do 'círculo'. Ele é como um estudante que aprendeu os primeiros conceitos de um novo curso, mas ainda não consegue sequer imaginar a extensão de tudo o que não sabe (e que, teoricamente, terá de aprender para o exame). No pior dos casos, o Valete de Espadas pensa que já sabe tudo e compreendeu tudo. A sua inteligência natural leva-o a sobrestimar as suas capacidades e a substituir o conhecimento por palpites. A maioria das tecnologias de informação modernas concebidas para o utilizador comum (o aspeto terreno do ar em ação) baseia-se no Valete de Espadas – pressupõem uma aprendizagem intuitiva, sem longas leituras de manuais, guias de utilização e afins. Não é preciso saber. De alguma forma, hás de perceber!
Ao pensamento 'recém-nascido', com toda a sua presunção, é difícil manter-se numa posição estável. As limitações repugnam-lhe. O Valete de Espadas é frequentemente avaliado como um oportunista sem princípios; na realidade, a mutabilidade da sua posição e atitude é o resultado de uma análise e revisão constantes da realidade. Ele reestrutura o quadro não uma vez por ano, nem nos grandes feriados (isto é, crises de vida), nem por ocasião de acontecimentos inesperados, mas constantemente. A maioria das pessoas, depois de gastar energia a analisar uma situação e a criar uma representação dela, não quer voltar a gastar forças nesse trabalho. Como resultado, são conhecidas como pessoas de opiniões definidas e 'princípios sólidos'. O Valete de Espadas reestrutura o quadro do mundo non-stop, em tempo real, como só é possível quando se tem juventude de alma. Consequentemente, os seus 'princípios' estão sujeitos a constantes atualizações. Nesse sentido, não se pode confiar neles – estão em vigor apenas até à próxima atualização. O Valete de Espadas adaptar-se-á a uma nova ordem, a uma nova religião, a um novo regime, a novas realidades sociais de qualquer nível. Naturalmente, isso não suscita simpatia naqueles que não o acompanham e que, em geral, não acolhem bem o 'novo'. Ziegler escreve: 'Quando a renovação intelectual (ar) encontra a realidade (elemento terra), os altares dos velhos ideais desmoronam-se. Cada mudança, cada conflito interno produz fumo e cinzas (maus humores). No entanto, o fumo depressa assenta, deixando espaço para a clareza'. O Valete de Espadas é decidido e agressivo quando confrontado com problemas práticos. Enfrenta-os (ou seja, atira-se a resolvê-los) com tanto maior entusiasmo quanto mais absurdos, contraditórios, paradoxais, enigmáticos eles são. No pior dos casos, manifesta-se no Valete de Espadas um Marte desarmonioso, explosões imaturas e destrutivas de energia (agressividade, combatividade adolescente, ambições, sentimento de superioridade, crueldade, conflituosidade, etc.).
Ao mesmo tempo, como todas as Figuras do naipe de Espadas, o Valete de Espadas serve o reino da clareza e da verdade. Ele protesta, conflitua, desmascara, derruba, provoca, implica, insulta e traz à luz por causa delas – da clareza e da verdade. Aqueles que compreenderam isto, ou que servem os mesmos ideais, perdem o desejo de o estrangular. No seu verdadeiro e superior modo, a sua revolta é valiosa, construtiva e criativa. Ziegler escreve que o Valete de Espadas pode ser comparado às ações de Jesus a expulsar os cambistas do templo.
Terá de criticar alguém, de trazer razão e clareza a algo (de preferência, sem exaltação, hostilidade ou impiedade), de tirar conclusões corretas sem alfinetadas… ou tornar-se objeto delas. Possíveis mordacidade, criticismo excessivo, malevolência, amargura, troça, preconceito. Esta carta manifesta discussões, provocações, falta de educação e, nesse sentido, aspereza. Patrocinando todo o tipo de duelos verbais e disputas, o Valete de Espadas é uma carta razoável para exames (pelo menos, a cabeça não se recusa a trabalhar e a memória não desaparece). Sim, perguntas traiçoeiras e críticas, muito provavelmente, terão lugar. Em compensação, finalmente se conseguirá compreender algo. Como se sabe, o exame é a última oportunidade de aprender alguma coisa. Sobre o Valete de Espadas, pode-se dizer com igual verdade 'A língua leva a Roma' e 'A língua é minha inimiga'. Com esta carta, tanto se pode safar bem de uma situação complicada, 'enrolando' o oponente, como se pode dizer algo sem pensar, de que depois se venha a arrepender.
O Valete de Espadas envolve a busca de informação e a exposição dos seus planos, a análise objetiva dos factos e, inclusivamente, a tomada de decisões não muito agradáveis. Esta carta pode descrever um ambiente nervoso no trabalho, cheio de ansiedades, agitação, algumas provocações, insinuações e pequenas intrigas, mais apropriadas a frequentadores de jardim de infância do que a pessoas que têm que fazer. Com esta carta, florescem profusamente as intrigas de bastidores, a luta por posição, o ajuste de contas, a troca de alfinetadas, power games e todos os tipos de ações de protesto, como boicotes e 'revoluções de escritório'. O trabalho normal dá lugar a mexericos e à fofoca (tudo isto pode parecer uma 'atividade de formação de pessoal'). A propósito, o Valete de Espadas gosta de todo o tipo de novidades, modernizações, tecnologias de informação e a introdução na vida da organização de técnicas avançadas de trabalho, comunicação e gestão de dados.
O Valete de Espadas pode descrever a necessidade de usar toda a sua inteligência para enfrentar os concorrentes e, no pior dos casos, muita parra e pouca uva, atividade sem resultados.
O Valete de Espadas é um assistente inteligente que quer aprender algo. Esforça-se pela perfeição, mas ainda não a atingiu. A língua afiada e a capacidade de aprender rapidamente fazem dele um colaborador valioso, embora seja melhor não contar com a sua lealdade ilimitada e restringir-lhe o acesso aos segredos da empresa.
O Valete de Espadas é bom para profissões que exigem o conhecimento de línguas estrangeiras e a capacidade de estar a par de negócios em constante mudança ('como na bolsa'). Nenhum sinal fugaz lhe passa ao lado. É a carta de assistentes rápidos, ajudantes indispensáveis, subordinados espertos. O Valete de Espadas pode ser apresentador de televisão ou rádio, ou especialista em publicidade, distribuição de mercadorias e informação.
Com ela, passam todas as atividades que exigem reação rápida, frieza e concentração, execução clara de funções com o mínimo de emoções. Pode descrever o trabalho de detetive, auditor, médico de diagnóstico, pois gosta de 'investigar' e saber pormenores. Preocupam-no os enigmas, a vigilância, a busca, a possibilidade de determinar algo, descobrir, revelar ou desmascarar. Nas interpretações tradicionais, figura também como indicador de artista. O Valete de Espadas gosta de observar, vigiar, recolher informação. Pode ser investigador ou assistente de investigador, estudante, jornalista a realizar uma investigação, blogueiro que não tem dificuldade em falar, tradutor, comissário de bordo, estafeta, polícia de trânsito, inspector, segurança. Gosta de calcular, contar, desenvolver esquemas, e pode fazê-lo mesmo por falta de outro entretenimento, no meio de um trabalho rotineiro que não envolve matemática alguma. Por vezes, pode chegar a algo parecido com regularidades estatísticas nesse mesmo trabalho rotineiro, e então terá prazer em optimizá-lo (ou em descobrir uma forma de contornar as regras). O Valete de Espadas pode indicar cirurgia ambulatória, profissões ligadas, de alguma forma, ao uso de objetos cortantes e perfurantes, também à aviação, à arte militar e à espionagem nos seus escalões inferiores, à polícia e ao processo judicial.
Também patrocina a prática de artes marciais e modalidades desportivas em que se atribui grande importância à agilidade, concentração, tática pensada, a todos os tipos de 'esquemas', contra-ataques e 'jogadas' contra o adversário.
Conselho da carta: mostrar vigilância, pensar com a cabeça e manter a carteira perto do coração. O Valete de Espadas atua praticamente da mesma forma nas posições 'conselho' e 'aviso', pois – avisa! E isso é o tal 'prevenido vale por dois'. O alarme deve ser ativado, o telefone 'protegido por palavra-passe', o talão fiscal verificado, o endereço eletrónico verificado duas vezes antes de se carregar no botão 'enviar'. Outro conselho do Valete de Espadas: exercitar as capacidades analíticas, resolver puzzles, dedicar-se ao estudo de algo novo, aumentar a erudição. Frequentemente, o conselho de intervir com o Valete de Espadas leva, como resultado, ao Mago – a situação ganha controlabilidade.
Armadilha da carta: confiança excessiva nas próprias ideias, sendo que elas são superficiais, imaturas e apenas abarcam parcialmente a essência do assunto.
Como todos os Valetes, o Valete de Espadas pressupõe que o consulente espera alguma notícia relacionada com dinheiro. O carácter dessa notícia pode ser revelado por outras cartas da tiragem. No sentido mais geral, o Valete de Espadas pode significar a necessidade de se pôr a fazer contas, de analisar a situação financeira. Possivelmente, depois disso, alguns planos serão alterados ou revistos. Provavelmente, o Valete de Espadas forçará a renunciar a algo, mas isso é para melhor – a sua cabeça funciona perfeitamente nos negócios, e as decisões tomadas podem revelar-se racionais.
As Espadas propõem sempre resolver problemas difíceis, e o Valete de Espadas, como todos os outros Valetes, indica uma atitude imatura em relação à ligação entre duas pessoas. Neste caso, a ênfase será no egoísmo e na racionalização, na irritação e na aspereza. Brigas e escaramuças incluídas. O Valete de Espadas gosta de fluxos de recriminações, bofetadas (físicas e morais), ataques e críticas vazias, discussões verbais absolutamente absurdas e intermináveis, insistindo na sua opinião, como se diz, por princípio. 'Há deleite na batalha!' Para o Valete de Espadas, insistir na sua opinião significa exatamente o mesmo que, para um adolescente, provar a sua autenticidade e o seu eu. É uma questão existencial! E não é uma pequenez qualquer (do tipo, para que sessão comprar bilhetes). O parceiro, que já ultrapassou esses limites no seu desenvolvimento espiritual, não pode olhar para esses 'triunfos da vontade' sem tristeza e tédio. O Valete de Espadas zanga-se, ofende-se, lança-se em provocações vingativas ('eu ensino-te uma lição!') e, no pior dos casos, comporta-se de forma completamente inadequada, tendo histerias e cortando os pulsos. Ao sentir uma ameaça à relação, é capaz de gestos infantis e estúpidos, impulsivos, precipitados, apenas para esclarecer a situação (organizar vigias, encontros, emboscadas e armadilhas, fazer birras no local de trabalho, invadir a caixa de correio eletrónico, etc.).
O Valete de Espadas pode indicar um rival no amor, uma fofoca ou a própria situação de suspeitas surgidas de infidelidade.
O Valete de Espadas pode indicar um agravamento de antigas divergências, bem como o hábito de projetar os seus problemas no parceiro ('transferir a culpa'). Pelo seu espírito, o Valete de Espadas é uma criança infeliz e ferida, que, por exemplo, amadureceu precocemente devido ao divórcio dos pais. O seu mundo emocional acaba por ser atravessado por ventos frios e esvaziado pela desilusão no amor e na intimidade ainda antes de dar os primeiros passos na vida adulta. Em contrapartida, está perfeitamente ciente da duplicidade, infidelidade, engano, crueldade, separações e ultimatos. Inconscientemente (e por vezes conscientemente), está preparado precisamente para esse desenvolvimento dos acontecimentos, mantém-se vigilante e em alerta.
O Valete de Espadas não é o parceiro mais agradável, sabendo estragar as relações, pois está mais virado para a sua destruição do que para a construção. Mas tem uma mente afiada e um carácter lutador e, em geral, anseia por desenvolvimento. Chega a pensar em questões existenciais, embora à maneira adolescente, e procura a sua identidade. Ao conhecer alguém, o Valete de Espadas avalia sempre os riscos emocionais. E fá-lo quase por cálculo matemático, imaginando o que se pode esperar da pessoa e introduzindo os seus coeficientes na fórmula. Claro que também pode enganar-se, mas, em geral, não se deixa enganar por suspiros, poemas, queixumes da vida e pequenos gestos românticos. Olha para a raiz, embora ainda não com a mesma perspicácia que os seus pais 'espadinhas'. Interessam-lhe os factos, as ações, os feitos e os resultados, e é por eles que avalia o que se passa, e muito rapidamente. Despreza a ingenuidade e o sentimentalismo. Não se pode dizer que seja infeliz no amor – é que, tal como o Cavaleiro de Espadas, geralmente não sabe o que isso é. Mesmo que lhe aconteça falar muito dele (ele gosta de conversar e de 'brilhar' com alguma teoria zombeteira), o que é senti-lo é-lhe praticamente desconhecido. O Valete de Espadas é invejoso e ciumento, mas isso deve-se apenas aos sofrimentos do seu próprio ego – não gosta quando alguém o ultrapassa ou tenta tirar-lhe o que ele considerava seu. No amor, comporta-se da mesma forma que na resolução de um problema matemático (e, por exemplo, pode decidir conquistar por desafio, num determinado prazo). O seu modelo de comportamento no amor corresponde ao seu modelo de pensamento racional. Escusado será dizer que, ao tentar analisar e racionalizar os movimentos do seu coração, arrisca-se a enganar-se a si mesmo. Simplesmente faz a escolha errada e depois sofre as consequências (por vezes através do divórcio, simbolizado nas tiragens pelos seus pais simbólicos – o Rei e a Rainha de Espadas).
Como todas as Espadas, o Valete de Espadas não tolera a opressão. E está mais rebelde e radical do que os seus pais simbólicos, o Rei e a Rainha de Espadas. Ziegler escreve que o seu 'não' a qualquer opressão é apenas o seu 'sim' a si mesmo. Como todas as outras Espadas, o Valete de Espadas é sempre fiel apenas a si mesmo. E isso, em geral, atrai! A necessidade de independência, naturalmente, fá-lo esquecer frequentemente a importância dos sentimentos. É capaz de causar dor não só propositadamente, mas também sem se aperceber.
Nele se combinam surpreendentemente a confiança e a indefesa, a insolência e a castidade. Se os seus sentimentos forem, ainda assim, tocados, ele é capaz de ações muito precipitadas e está pronto para qualquer luta. A existência de rivais ou rivalidades, pais descontentes e outros, e outros obstáculos não o incomoda minimamente, e até o incita. Ao contrário do Cavaleiro de Espadas, ele não recuperará a pessoa amada à pancada, mas, se for caso disso, conseguirá caluniar, difamar e, com astúcia, 'rebaixar' os outros candidatos, apresentando-os sob a pior luz, ao ponto de ninguém mais querer olhar para eles. Se lhe proíbem de sair com alguém, ele atravessará mares, escalará montanhas, voará no porão de um avião... Por princípio. Embora o Valete de Espadas não seja alheio ao instinto de autopreservação, a sua fase seguinte é o Cavaleiro de Espadas, e não se deve esquecer isso. O Valete de Espadas é exatamente o tipo de adolescente que pode atirar-se pela janela ou cortar os pulsos por causa de um amor infeliz. É neles que há frieza e determinação interiores suficientes para pôr termo à vida.
O Valete de Espadas geralmente parece jovem, mas não é uma carta de saúde impecável. Pode ser um indicador de distonia vegetovascular e síndromes semelhantes, não particularmente significativas, mas desagradáveis, da série 'todas as doenças vêm dos nervos'. Pode também indicar pequenas lesões e cortes.
Na posição invertida, significava tradicionalmente doença, e especialmente estado crepuscular da consciência, perturbação temporária da razão, amnésia (perda de memória devido a traumatismo), paranoia. A tendência para ver ligações onde elas não existem leva a ilusões ansiosas e suspeição. Precisamente ao Valete de Espadas invertido pode parecer que as folhas de outono voam atrás dele em bando não por acaso.
O Valete de Espadas (especialmente invertido em combinação com a Lua) pode indicar dificuldades de fala, gaguez, isolamento patológico e, no pior dos casos, tendências suicidas.
O Valete de Espadas invertido traz artimanhas astutas, maquinações e, naturalmente, obstáculos nos negócios. Pode também indicar perda de vigilância e inação. A interpretação tradicional diz que, em relação ao evento indicado por outras cartas, é oportuno perguntar: terá realmente acontecido? Um significado interessante da carta – má compreensão das palavras ditas e dos textos escritos. Possivelmente, lemos algo até ao fim ou interpretámos mal o sentido de uma mensagem, introduzimos a palavra-passe errada, colocámos a vírgula no lugar errado, enviámos a carta ou a encomenda para o endereço errado. Ou seja, dificuldades de tradução.
Desde há muito, acreditava-se que, na posição invertida, o Valete de Espadas se manifesta de forma desfavorável, significando discussões e desavenças que não levam a qualquer benefício, implicâncias por ninharias, debates acalorados e insultos mútuos, até à rutura da relação. Pode falar de ataque repentino, indefesa, desarmamento.
Pessoa inexperiente, cheia de categoricidade e impiedade juvenis, ainda sem consciência do significado da paciência e da diplomacia (que na posição direita geralmente estão presentes e podem ser usadas). O Valete de Espadas invertido, mais do que o direito, tende a provocar, ridicularizar, causar dor; no entanto, o importante é que ele próprio não é amado por ninguém. Perde aquele grau de atratividade que pode ter no seu estado natural. Como resultado, as fofocas, as queixas, as cartas anónimas ou a violação das regras tornam-se a sua única forma de conseguir que, de alguma forma, se tenha em conta a sua existência. A carta pode falar de delitos, problemas com a lei, órgãos oficiais; no entanto, não será certamente um crime bem pensado – será mais algo como uma condução absurda sob o efeito do álcool com excesso de velocidade e a consequente discussão com a polícia. Em geral, o principal motivo para tal comportamento é a tentativa de um irrequieto mal-amado obter a sua dose de atenção da humanidade indiferente. Pode ser um jovem desnorteado, um preguiçoso, um estudante eterno.
É importante que, se o Valete de Espadas direito ainda é capaz de lidar com as consequências de traumas de infância, de se proteger e de se defender de alguma forma (toda a sua postura na carta o diz), o Valete invertido perde essa capacidade e debate-se em complexos, não sendo senhor de si. Pode tentar afirmar-se causando dor, humilhando, caluniando. Esta é a dinâmica psicológica da novatada – primeiro sofreu ele, agora que os outros passem pelo mesmo. Ao ver o seu sofrimento nos outros, como que de fora e sob o seu poder, liberta-se. Algo semelhante também é característico do Cavaleiro de Espadas, mas em maior escala.
Repentino, inesperado, improviso.
Com o Mago (para homem), com a Sacerdotisa (para senhora) – sofrer por imprudência.
Com o Hierofante – casamento de parente querida com pessoa odiada pelo consulente (de um antigo dicionário de significados)
Com a Torre, Cinco de Espadas – perdas financeiras.
Com o Oito de Ouros – presente inesperado.
Amazonas, Valquírias, Sílfides
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