Três de Espadas
O Três de Espadas chama sempre a atenção para problemas de incompatibilidade, aspereza excessiva na comunicação. A carta é, em geral, desoladora, prevê um tempo tenso e desagradável. Com ela, entram na vida muitas brigas e ansiedades, amargura, situações de conflito de interesses. É a carta do teste à 'piolheira emocional' (desculpem a aspereza, mas é precisa). Traz uma lição de vida desagradável. Se as Copas são o 'naipe do coração', as Espadas são o 'naipe da cabeça'.
O Três de Espadas chama sempre a atenção para problemas de incompatibilidade, aspereza excessiva na comunicação. A carta é, em geral, desoladora, prevê um tempo tenso e desagradável. Com ela, entram na vida muitas brigas e ansiedades, amargura, situações de conflito de interesses. É a carta do teste à 'piolheira emocional' (desculpem a aspereza, mas é precisa). Traz uma lição de vida desagradável. Se as Copas são o 'naipe do coração', as Espadas são o 'naipe da cabeça'.
Naturalmente, nas relações, os sentimentos muitas vezes relegam as considerações para segundo plano, e o Três de Espadas dá o sinal e rasga a névoa da idealização emocional, traz um confronto com a forma 'como realmente é', e esta verdade da vida causa sentimentos dolorosos. Por isso, na carta da 'cabeça' está representado um coração a sangrar. É possível que seja necessário dar uma resposta final e que isso seja muito difícil.
O principal significado do Três de Espadas - uma escolha feita contra o sentimento (a pessoa tem de recusar, renunciar a algo que lhe é caro). Mas se isso é covardia ou, pelo contrário, um passo em frente, só se pode perceber conhecendo o pano de fundo da questão e verificando as outras cartas que saíram. Daí algumas diferenças nas interpretações dos autores. Uma coisa é quando os sentimentos (não necessariamente os próprios! é bem possível que sejam de outros) são cruelmente suprimidos pela razão, e outra é quando, com a força da razão, se conseguiu escapar do cativeiro de alguma dependência. É um passo doloroso, mas necessário.
Nos dicionários antigos, a carta era considerada indicadora de uma separação dolorosa, partida, afastamento. Bem, se o Seis de Espadas ou o Oito de Copas estiverem por perto – facilmente. As Espadas agem quando é necessário, mas a despedida e a separação são uma necessidade que causa sofrimento ao coração.
Alguns autores contemporâneos acreditam que o Três de Espadas numa leitura pode indicar simplesmente a ausência de algo valioso e importante para o consulente ao seu alcance (o que é, outras cartas podem sugerir). Os seus significados, além de discórdias e aborrecimentos devido a um amor infeliz – são eliminação, afastamento, ausência.
Notícia desagradável (o significado torna-se quase cem por cento se houver por perto cartas 'mensageiras': Valetes, Cavaleiros ou o Oito de Paus, por exemplo).
No pior dos casos (cercada por cartas negativas adicionais), a carta prevê uma grande tristeza. As cartas circundantes também podem sugerir a rapidez com que a pessoa conseguirá recuperar e quais os recursos disponíveis para isso.
Acontece que, quando esta carta sai, a pessoa fica surpreendida, é-lhe difícil associá-la a alguma circunstância da sua vida, parece que está tudo bem. Neste caso, a antiga regra diz que se devem retirar mais três cartas e descobrir quais são os 'três pesares' do consulente – algo que, despercebido, vai arranhando a alma e toldando a vida. Os resultados são surpreendentes. É possível que esta regra tenha surgido da observação de que o Três de Espadas é geralmente retirado por uma pessoa que tem problemas suficientes na vida, mas concentra toda a sua atenção num deles, possivelmente não no mais importante.
O Três de Espadas pode descrever tanto uma pessoa que sofre como uma que causa sofrimento. No primeiro caso, indica dor, tristeza, humor melancólico, conflito emocional grave. No segundo caso - a capacidade de sacrificar tanto o seu próprio coração como o dos outros ('partir'), impiedade, capacidade de infligir feridas profundas sem hesitação. Como naquela música dilacerante: 'Eles a nós – cano na têmpora, eles a nós – corações em pedaços...' E, por vezes, esta pessoa simplesmente se comporta da forma mais natural para si, 'natural', e não compreende totalmente o que faz. Não é segredo para ela que o seu comportamento não agrada, mas pode não perceber a profundidade das feridas que inflige. É racionalista, crítico e perdeu há muito as ilusões comuns às pessoas (o que, geralmente, também acontece em circunstâncias difíceis: 'Amor infeliz? Não me façam rir. Esse cálice já foi bebido, seco, rachado e partido'). A pessoa descrita pelo Três de Espadas é capaz de destruir tudo o que é caro ao coração – ao seu e ao de outra pessoa.
No Três de Espadas, soa frequentemente o motivo da aversão, desilusão, desacordo com a realidade, recusa em aceitá-la, devido ao seu peso para o coração, pelo que a carta pode também simbolizar falta de sociabilidade, antipatia, insociabilidade, 'desfasamento' com os que estão próximos, oposição a eles. É um estado em que a pessoa é forçada a mover-se numa direção que não lhe agrada.
É, em qualquer caso, um estado de crise. É muito possível que a pessoa esteja perante uma escolha e não consiga dar um passo, porque a razão e o coração não estão de acordo. Mesmo que saiba perfeitamente como agir, é-lhe muito difícil. Com a mente, reconhece a necessidade do que está por vir, mas a alma revolta-se contra essa perspetiva.
No sentido sagrado, a carta representa o sagrado coração da Virgem Maria, segundo a palavra do profeta: «E uma espada traspassará a tua própria alma». Este Arcano não é chamado «Senhor da Tristeza» por acaso.
O Três de Espadas simboliza sempre a aspiração a um ideal inatingível, a recusa da realidade e, ao mesmo tempo, a incapacidade de se afastar dessa realidade. Ou, por outras palavras, a tentativa de resolver um problema com meios inadequados. Ao nível do Três de Espadas, ocorre a escolha da direção, possivelmente para a autorrealização da força. O Três de Espadas é um símbolo de ideais postos à prova. Portanto, pode-se dizer que está em sintonia com Escorpião. Todos os três contêm, em certa medida, a ideia do mistério da iniciação.
O Três de Espadas também simboliza a iniciação, a consagração através de uma prova dolorosa, a rutura com a vida anterior. A pessoa é testada na força e na fraqueza, o que resulta no desenvolvimento da sabedoria, no aprofundamento da experiência de vida e no aperfeiçoamento pessoal.
A segunda década de Libra expressa a ideia de determinar os limites do pensamento: a identificação de padrões lógicos que permitem à razão emitir um julgamento claro sobre qualquer questão. Saturno rege esta década, refletindo a capacidade de aderir a regras estabelecidas em prol da harmonia geral. Esta mesma década simboliza a autodeterminação, a busca pela completude interior e pela perfeição da imagem. No entanto, a constante medição dos passos retarda o movimento para a frente, pelo que esta década é caracterizada pelo medo da novidade e de qualquer incerteza. São também características o excesso de autolimitação, a desconfiança do mundo exterior e das outras pessoas, como potenciais fontes de desarmonia.
É importante saber mudar oportunamente da procura da harmonia estática dentro de si para a visão da harmonia nas ligações dinâmicas do mundo. O pensamento, ao desenvolver-se, move-se, assim como a vida está em constante mudança. A carta mostra um coração trespassado por três espadas. Refletindo a sua tristeza, chove das nuvens no fundo. Esta imagem lembra que o mundo é baseado em contradições, e a sua compreensão racional, tal como o conhecimento em geral, está ligada à tristeza: qualquer lei, mesmo a lei do ser, é severa e impõe responsabilidade ao homem. O pensamento do homem deve curvar-se perante as leis do mundo - e então ele poderá aceitar o que antes não cabia na sua consciência.
Por trás destas palavras aparentemente abstratas, esconde-se uma verdade simples. Um dos estados mais dolorosos que um ser humano pode vivenciar é a 'perda de ilusões'. Por trás disso pode estar o colapso de tudo em que ele se permitiu acreditar. Permitiu porque queria muito que fosse verdade. Cada um de nós tem um coração, cada um de nós tem sonhos. Podemos meditar 24 horas por dia, desfrutando da nossa ideia de como este mundo deveria ser. Mas depois chegará a altura de dizer a nós mesmos – tu não és nada comparado com este mundo, ele é diferente, é enorme, não é como tu o imaginaste. E ele tem todo o direito de o ser. Portanto, acorda e faz um esforço para ver este mundo como ele realmente é.
Podes correr de encontro ao mundo com os teus sonhos mais brilhantes, mas não esperes que ele se desvie primeiro. Se nos esforçarmos para nos livrarmos da névoa das nossas perceções e compreendermos como este mundo realmente é, conseguiremos que ele se torne um pouco mais parecido com os nossos sonhos.
Luz e sombra (conselho e advertência)
Conselho: beber o cálice amargo. Aceitar a tristeza que trespassou o coração e alegrar-se por os olhos se terem aberto. A decisão desagradável que tem de ser tomada é difícil e dolorosa, mas aquilo de que queremos curar-nos muitas vezes cura-nos. É uma lição de vida desagradável, mas ensina muito. É necessária contenção, paciência, humildade. Se não te segurares e olhares para a frente, no final muita coisa pode correr mal. Vale a pena defender os seus interesses. Esta carta é um desafio para tomar decisões claras e inequívocas. Num estado de dilema cardíaco, é o que é mais difícil para a pessoa, mas só assim se pode restabelecer o equilíbrio perdido (Libra).
Advertência: não tentar tomar uma decisão contra o coração.
Oposição a empreendimentos, atrasos. Más perspetivas. As Espadas, como já foi mencionado, são o 'naipe da cabeça' – pelo Três de Espadas, a dor de cabeça está garantida. Fracassos, perdas, prejuízos. Ameaça de falência. Despedimento. Rutura de relações comerciais. Rescisão de contratos. Fragmentação do poder.
Desilusão com a profissão ou com o cargo – aquilo que antes era muito valorizado revela-se não corresponder às expectativas (novamente a 'perda de ilusões'). Esta carta pode falar de uma crescente aversão ao trabalho – os deveres parecem pesados, desagradáveis, a alma categoricamente não se inclina para eles. A pessoa mal se arrasta para o trabalho, amaldiçoando tudo e todos – chefes, clientes, colegas ('não o quer ver nem pintado'). Solidão, desânimo devido à necessidade de se ocupar com algo para o qual a alma não se inclina. O melhor que este sofrimento pode dar – é abrir os olhos para aquilo para que a alma realmente se inclina e dar forças para seguir um novo caminho na primeira oportunidade!
Fracasso em exames.
Acredita-se que pelo Três de Espadas ocorre 'má imprensa', escândalos, calúnias, publicações difamatórias, desinformação.
Fragmentação de propriedade. Perdas, prejuízos. Por vezes – dinheiro obtido com a dor dos outros e a um preço demasiado alto.
Em geral, o Três de Espadas traz uma sensação de desenraizamento e não promete nada de bom em termos de habitação. À pessoa, em qualquer caso, não agrada o local onde se encontra, 'não o quer ver nem pintado'.
Possíveis reclamações judiciais, disputas por dinheiro, propriedade.
O significado de coração partido do Três de Espadas é claro para todos, mesmo para quem vê o Tarot pela primeira vez – angústias de amor. Por vezes, a carta mostra apenas que o consulente tem este tipo de ansiedade, medo da dor e da perda, embora possa não haver grandes razões para isso. O significado tradicional da carta: rutura de uma aliança, e geralmente manifesta-se de forma bastante evidente. É uma carta de separação, arrefecimento, discórdia, rompimento, rutura de relações pessoais.
Confrontos traumáticos, discussões dolorosas, possível até divórcio. No melhor dos casos – alguma sombra caiu sobre a relação, no pior – uma profunda ferida emocional foi infligida. O Três de Espadas manifesta, antes de mais, situações de incompatibilidade, quando alianças anteriormente celebradas se desfazem devido a interesses opostos, desavenças, conflitos. Por vezes, descreve o arrefecimento da relação e tentativas desesperadas de alcançar a harmonia.
É possível um triângulo amoroso – um terceiro elemento entrou em cena e tornou-se a causa da rutura. Infidelidade, situação em que um descobriu 'toda a verdade' sobre o outro, síndrome dos óculos cor-de-rosa partidos. Impossibilidade de escolha entre admiradores. Coração partido, desilusão amorosa, tristeza. A separação não será amigável. Como causa ou base da situação, o Três de Espadas pode indicar que a união, desde o início, era frágil, incluía interesses opostos das partes e agora elas se separam.
Pelo Três de Espadas pode ocorrer uma angústia dilacerante pelo que foi perdido. Uma das antigas interpretações soa como monaquismo – após tais dramas, a vida futura parecia não ser mais permitida. É interessante que, na prática, esta carta se tenha revelado um significador de viúvo para a vida: uma pessoa que perdeu a sua cara-metade há mais de dez anos, mas vive de forma muito fechada, praticamente sem sair do luto. Este homem bastante encantador, um especialista brilhante no auge da vida, sabia que causava condenação e incompreensão, mas as suas palavras eram mais ou menos assim 'Ela não está... NÃO ESTÁ ninguém'. Lembra Lady Hamilton após a morte do Almirante Nelson e a famosa frase: there was no 'then', there was no 'after' (não houve nenhum 'depois', nenhum 'após').
Vários problemas de perfil cardiológico, até enfarte e insuficiência cardíaca. 'Coração doente'.
Trauma. Dor física. Fraqueza.
Depressão (geralmente traumática, exógena).
É ainda a rutura de relações de parceria, afastamento, embora neste caso a fissura na relação não seja tão grande. Resistência à dor, recusa em reconhecer a tristeza, e isso impede a cura. O coração 'congela', está partido, mas não sente nada, nem a dor.
Na posição invertida, a ação dos aspetos negativos é intensificada, dando uma completa confusão mental (as espadas são, afinal, o naipe da 'cabeça'): ilusões, enganos, alucinações, distração, desatenção e erros irreparáveis. Erros de cálculo, perdas, desordem nos negócios (cuja causa pode muito bem ser um coração partido). Em situações graves: perturbações afetivas severas, delírio, loucura.
Guggenheim menciona um significado como 'encontro com uma pessoa especial que levou o consulente a um compromisso' (a intuição sugere que esta conclusão se baseia provavelmente na experiência pessoal do autor).
Alguns autores acreditam que o Três de Espadas invertido significa que a situação dolorosa do consulente existiu, mas agora já é passado. Já não dói.
Aparecendo numa leitura ao lado de um Arcano Maior, o Três de Espadas amplifica o significado inerente a esse Arcano. Retirado de dicionários antigos:
Com o Louco – ir parar a um hospício.
Com o Imperador – a situação não é tão triste, aproxima-se a união
Com o Hierofante – evitar o casamento.
Com os Enamorados – intimidade e amor, a carta enfraquece a influência do Três de Espadas
Com a Roda da Fortuna – falta de dinheiro.
Com o Cinco de Copas – combinação pesada, profunda tristeza, perda de amor, grande pesar, angústia cardíaca, viuvez
Com o Sete de Copas - ressentimento
Com o Dez de Copas – a carta enfraquece a influência negativa do Três de Espadas. Alegria, união, reconciliação.
Com o Cinco de Ouros – rejeição, recusa, perda de apoio
Perante a Lua invertida – afogar-se.
Édipo cego
Virgem Dolorosa
Cálice Amargo
«Muito conhecimento, muita tristeza»
Poema de Lord Byron sobre como a Árvore do Conhecimento, infelizmente, não é a Árvore da Vida:
Sorrow is knowledge. They, who know the most, must mourn the deepest over the fatal truth. The Tree of Knowledge is not that of Life.
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