Torre
Para a Torre, que é tradicionalmente considerada a carta mais severa dos Arcanos Maiores, curiosamente, pode-se procurar muito pela sua palavra-chave. 'Mudanças' são anunciadas por muitas cartas no Tarot. O Louco, a Roda da Fortuna, a Morte... E o Seis de Espadas? Não anunciam todas elas mudanças? Portanto, não são 'mudanças'. A imprevisibilidade dessas mudanças? O mais estranho é que a Torre pode nem ser imprevisível! A situação, como um abcesso, amadureceu há muito tempo. É aquele 'fim do mundo' que se esperava. Talvez até se esperasse muito! Portanto, não é 'imprevisibilidade'. Libertação? Mais uma vez, a Torre não será a portadora exclusiva deste significado. A libertação é trazida pelo Julgamento, pelo Sol, pela Estrela... e por mais algumas cartas.
Para a Torre, que é tradicionalmente considerada a carta mais severa dos Arcanos Maiores, curiosamente, pode-se procurar muito pela sua palavra-chave. 'Mudanças' são anunciadas por muitas cartas no Tarot. O Louco, a Roda da Fortuna, a Morte... E o Seis de Espadas? Não anunciam todas elas mudanças? Portanto, não são 'mudanças'. A imprevisibilidade dessas mudanças? O mais estranho é que a Torre pode nem ser imprevisível! A situação, como um abcesso, amadureceu há muito tempo. É aquele 'fim do mundo' que se esperava. Talvez até se esperasse muito! Portanto, não é 'imprevisibilidade'. Libertação? Mais uma vez, a Torre não será a portadora exclusiva deste significado. A libertação é trazida pelo Julgamento, pelo Sol, pela Estrela... e por mais algumas cartas.
E assim, a palavra-chave é 'crise'. Ou mesmo 'crítico'. Explosão ou rutura após um aumento anterior. De certa forma, é o castigo pelo que veio antes. Por ela, ocorre a Expulsão do Diabo (o Arcano anterior). O antigo nome da Torre é Casa de Deus. Vale a pena pensar sobre isto. É a Casa do Diabo (como a carta se chamava na Itália medieval), transformando-se sob o golpe do relâmpago celestial no lugar da presença de Deus. Pela Torre, ocorre a libertação do falso, da aspiração que não contribui para o desenvolvimento, através da destruição daquilo em que o homem acreditava e a que fortemente aspirava. Ocorre a perda do equilíbrio alcançado, baseado em falsos alicerces. A Torre é a sanitarista da evolução, cura a nossa vida de tudo o que a intoxica, destrói situações de estagnação que impedem o crescimento. Os golpes do destino podem parecer tão trágicos e incompreensíveis como parece a uma criança que é levada ao médico para extrair um dente doente. Poucos recebem estas operações de limpeza com entusiasmo, mas elas são necessárias.
A Torre mostra que as paredes atrás das quais nos escondíamos (ou escondíamos algo) estão a ruir. Um período de vida é substituído por outro, e isso acontece de forma muito rápida e, portanto, não sem dor. No sentido mais simples, a carta simboliza o fim da situação existente sob a influência de forças externas, sendo inesperado e muito rápido. Pode ser tanto uma simples limpeza reativa, como uma desagregação total da situação atual (pelo menos na área da questão colocada). A Torre arranca a pessoa das circunstâncias que a limitam, perturba o estado de coisas há muito existente. Por vezes, isso corresponde totalmente às expectativas e até aos desejos do consulente, pelo que a Torre nem sempre é assim tão má. Ao lado de cartas positivas, anuncia a desintegração do mal existente, prevendo o fim da fase negra na vida e a libertação de um fardo pesado. Está na hora de entrar no futuro ao som dos destroços do passado. Outra coisa é se isto não corresponde nem às expectativas nem aos desejos. Então, é um trovão num céu azul, uma espécie de revelação dolorosa, que abala os próprios alicerces em que nos apoiávamos, uma rutura radical de antigas conceções da vida. É importante que o próprio 'golpe' seja desferido por forças com as quais não vale a pena tentar lutar. Outro ponto significativo – não faz sentido tentar restaurar o que foi destruído pela Torre, é inútil.
Em diferentes posições da leitura e dependendo da situação, a Torre muda a sua escala e significado. Podem ser destruições externas e abalos internos. Para o futuro, serve mais como um aviso de que aquilo que consideramos estável e seguro há muito tempo pode de repente abanar. Estão a amadurecer mudanças radicais, cheira a tempestade no ar. Como indicador do passado, diz que o que está ultrapassado ruiu e não renascerá. Por vezes, trata-se de coisas internas – convicções enraizadas ou princípios de vida – e, por vezes, o alvo é algo mais tangível, mas em qualquer caso, pela Torre, desmoronam-se exatamente as estruturas e convenções que já ultrapassámos. Na verdade, o velho quebra-se porque chegou a altura, já amadurece algo novo, algo mais criativo, vivo e vital, e o velho já cumpriu o seu tempo, reanimá-lo é uma perda de tempo e esforço. Quando o choque passa, descobrimos que nos livrámos do lastro.
Pela Torre, limpamos o lixo, deitamos fora o velho e desnecessário, destruímos obstáculos. Por vezes, diz que estamos num processo de transformação extremamente intenso, algo nos abanou e chocou, sentimos uma rutura para algo importante, libertou-se espaço dentro de nós para algo novo. Ardemos com alguma ideia, sentimento, desejo, partimos uma coisa, ansiamos por outra, vivenciamos um choque e uma libertação. É a aquisição de uma verdade interior que há muito tempo definhava dentro de nós, reprimida. Este processo é semelhante a um trovão num céu azul ou a um rio que rompeu uma barragem. Pode ser uma experiência tão poderosa e vívida que é quase impossível 'recompor-se' e voltar à rotina diária (o famoso 'perder a cabeça'). Os significados tradicionais da Torre – perturbação inesperada e fracasso de planos, no pior dos casos – fracasso total, desgraças, sofrimentos. Mudanças catastróficas nos negócios do consulente, destruição da casa, do negócio, do casamento (dependendo do tema da questão e das cartas circundantes), por vezes – prisão. Num sentido pamente prático, a Torre significa frequentemente um conflito, até um escândalo, mas é uma tempestade após a qual o ar fica mais limpo. Possível envolvimento em ações de caráter agressivo, em situações difíceis e/ou perigosas.
Em casos raros, a Torre prevê um triunfo, mas mesmo assim é mais uma 'vitória de Pirro', obtida a um preço demasiado alto. Pela Torre, ocorrem destruições imprevistas, acidentes, avarias, acidentes pessoais, por vezes – ataques. Numa escala global, reflete guerras, catástrofes naturais, explosões, ataques terroristas, revoluções, colapso de regimes, destruição da ordem existente. Catástrofes aéreas, naufrágios. Acredita-se que a Torre, ao aparecer numa leitura, determina o significado das outras cartas no sentido negativo.
«Como atingido por um raio».
Provavelmente, a pessoa está em choque. Foi fulminada por alguma notícia ou evento, e tudo o que planeava antes e em que esperava mudou subitamente. Talvez esteja a tentar decididamente libertar-se de algo e a atuar como destruidor, mas, novamente, há uma razão para isso.
A Torre é um teste de stress que revela todos os nossos pontos fracos. A queda de crenças erróneas sob a pressão da realidade, a derrocada de valores que nos garantiam confiança no futuro e sensação de segurança (na esfera emocional, profissional, financeira... espiritual, enfim). A imagem da Torre pode significar as estruturas com que o homem tenta proteger-se do crescimento, do mundo, da atividade e diversidade da vida. De certa forma, o XVI Arcano representa uma prisão feita de conceitos rígidos, impermeáveis a mudanças e ao mesmo tempo altamente elevados. Nas suas paredes sombrias estão trancadas forças não utilizadas, emoções não reveladas, energia paralisada. Acumulam-se e pressionam cada vez mais. A pessoa sente-se apertada dentro de si mesma, mas insiste em encolher-se, só para não crescer com medo da dor (e da vida). Na verdade, toda esta construção é uma vã tentativa de parar o processo de crescimento, de mudança, de transição de um estado para outro. E eis que a realidade, condicionada por um horizonte limitado, é submetida a destruição. A Torre de conceitos que se erguia para o céu (e a área da vida onde a pessoa se considerava segura) de repente abana e desaba juntamente com a velha imagem do mundo. Isto é frequentemente percebido como uma catástrofe, uma vez que são precisamente as estruturas que constituíam a base da nossa confiança que ruem, mas na verdade é uma crise merecida, a impossibilidade de permanecer em posições ultrapassadas. Pela Torre, não se cria nada menos do que as condições para o crescimento posterior. É a dor que está no caminho para o renascimento.
Todos nós passamos pela experiência da Torre muitas vezes. O homem é imperfeito, e o seu conhecimento do mundo é sempre apenas parcial. Todos nós, de certa forma, nos protegemos do que nos rodeia para alcançar estabilidade e tranquilidade. A desilusão com as próprias ilusões, esperanças e construções racionais não poupa ninguém, a questão é apenas com que frequência as posições são revistas (aqui, o papel principal é desempenhado pela abertura e interação com o mundo exterior, em geral com forças que ultrapassam o próprio 'eu'). Se a pessoa não o faz há muito tempo (e os tijolos das perceções, de uma forma ou de outra, empilhamos todos os dias), consegue erguer uma construção muito alta e arrisca-se a ser simplesmente 'enterrada' sob os seus escombros – vai demorar muito tempo a desenterrar-se, e esta experiência deixará as suas marcas. É uma sabedoria de vida especial – compreender que as paredes da sua torre são mais inimigas do que amigas. E, ainda assim, a sensação na queda pode ser simplesmente horrível. Por vezes, por ela, passa a 'justa indignação' e a fúria da destruição e libertação, mas mais frequentemente vive-se a perda de orientação, o horror existencial, a consciencialização chocante de que não se é a pessoa que se julgava ser, de que se está a agarrar o ar, como as figuras a cair na carta. A pessoa que sofre de dor aguda pela Torre, é importante lembrar que não está sozinha. Lá de cima, Alguém a observa, vê tudo (por isso é que atingiu, porque vê...) e não a abandonará em nenhuma circunstância. Mesmo as perdas evidentes são dons valiosos do Universo, e os tempos de crise e desespero tornam-se frequentemente as fases mais produtivas do crescimento. Olhando honestamente para si mesma, pode verdadeiramente libertar-se e seguir em frente. Como observou uma taróloga ocidental contemporânea: «Ao aceitar o choque, poderá avançar no seu verdadeiro caminho e, mais cedo ou mais tarde, brilhar-lhe-á a Estrela da esperança. A alternativa é arrastar-se na lama como vítima passiva, perguntando-se onde está e como ali foi parar». A ação da Torre é muito visível em 'Perigosa Curva', de Priestley, onde o protagonista descobre que todo o edifício da sua vida era uma ilusão, e onde as questões do engano e do autoengano são mostradas de forma genial. E mais uma coisa que é preciso lembrar nos tempos de 'torre' – o mais importante, o mais valioso e essencial não pode ser destruído. A Torre não destrói isso. Queima o lixo (mesmo que, nesse momento, estejamos dispostos a tirá-lo do fogo com as mãos nuas).
A pessoa da Torre tem um carácter extremamente inquieto, é um verdadeiro barril de pólvora. Irrompe subitamente em cena, como um relâmpago, e também cai subitamente, o que também deixa uma sensação de trovão num céu azul. Anseia eternamente por mudanças (pelo menos inconscientemente), sente-se apertada dentro de certos limites impostos pela vida e, por isso, está sempre a acontecer-lhe algo, ela e as pessoas à sua volta recebem 'abalos' regulares. É dinâmica, autoconfiante, excitantemente imprevisível e está sempre disposta a arriscar. A Torre traz abalos e confusão à vida daqueles com quem o destino a confronta, é o destino vivo. Ao mesmo tempo, o espírito da pessoa é inflexível, difícil de quebrar, e a sua própria vida, cheia de reviravoltas, serve-lhe, senão de lição, de tempero. A Torre, de qualquer género, distingue-se frequentemente por um temperamento explosivo e pela incapacidade de manter boas relações com os outros. É um duelista nato, que está sempre à procura de confusão. No pior dos casos, é um desordeiro, brigão e grosseirão, ou até criminoso. Historicamente, a Torre corresponde a tiranos e ditadores (que, mais cedo ou mais tarde, são derrubados, se não morrerem antes). Pela Torre, passam também a mania da grandeza e o castigo pela soberba. Qualquer outra pessoa já teria os nervos à flor da pele há muito tempo, 'mas ele, rebelde, pede a tempestade, como se houvesse paz nas tempestades'. No entanto, tem o dom de libertar outros, menos duros e radicais, daquilo que os oprime – num instante, as portas são arrombadas, os telefones cortados, as malas feitas, e até deixa para lá os pertences, e eis que já voas 'sem bilhete' numa direção desconhecida, sem sequer tentar adivinhar como é que aquilo vai acabar. Com a Torre, a frase 'ver Paris e morrer' deixa de ser uma figura de estilo.
No sentido espiritual, a Torre simboliza as consequências de a pessoa ter sido 'tentada pelo demónio', de ter aceitado a oferta do Diabo, mesmo que tente negá-lo. O Décimo Sexto Arcano descreve a destruição das vibrações do Décimo Quinto. A Torre é algo enviado por Deus (golpe, castigo, revelação, queda de ilusões). Ao contrário das interpretações modernas, num sentido profundo, pela Torre não é tanto 'a pessoa perde a cabeça', mas sim o contrário – 'endireita-lhe o juízo'. Recebemos um lembrete do Universo de que não somos omnipotentes (mesmo que tenhamos adquirido poder), que a vontade do homem, por mais forte que seja, comparada com a Vontade de Deus, é secundária e limitada. A Torre adverte - não te arvores em Deus, não imagines que 'o próprio homem é que manda'. Aquilo a que agora aspiras não contribui para a evolução e não faz parte dos planos de Deus. Portanto, serás encaminhado para o caminho certo, as construções da tua mente limitada serão derrubadas. O Décimo Sexto Arcano é o mistério da demolição de tudo o que é falso, inviável. Simbolicamente, representa a queda de Lúcifer, da Estrela da Manhã, precipitado dos céus 'como um raio' pelo exército do Arcanjo Miguel. Por vezes, também é associada à queda do homem e à sua expulsão do paraíso, embora, na verdade, toda esta construção pouco lembre o paraíso... Provavelmente, o mais próximo do Décimo Sexto Arcano é o famoso mito da torre de Babel, símbolo da vaidade, que o Senhor não permitiu que os homens orgulhosos acabassem de construir. Alegoria: algo não totalmente real cai sob o impulso da intervenção divina. Por isso, a Torre dirige-se ao homem com uma advertência: a tarefa que propuseste não pode deixar de destruir quem a resolve. E, além disso, faz sentido? O que estás a construir, no mínimo, ignora as leis de Deus e, possivelmente, viola-as. É uma queda, por isso a expulsão do paraíso seguir-se-á inevitavelmente. Esta construção não poderá ser concluída, embora muito já esteja feito. Seguir-se-á um golpe urânico, que põe fim a este assunto de uma só vez. Desse relâmpago urânico pode brilhar o sol de uma nova verdade. A revelação divina destrói instantaneamente todos os enganos, não deixando nada deles.
Astrologicamente, sente-se na Torre a influência de Marte (energia cósmica na sua forma materialista bruta), bem como de planetas como Plutão (globalidade e massividade, 'onde se esconder'), Urano e Saturno (destruição e renovação súbitas). A Torre pode significar tanto a destruição cega de formas como a queda do que está obsoleto. Marte - o princípio moral pessoal do homem, dominando o destino, dando força física, impulsos espirituais e esperança na imortalidade. Mas a esperança na imortalidade chega ao homem apenas quando ele 'cai da sua torre de babel' e já não lhe resta mais nada além dessa esperança. Num sentido místico, a Torre corresponde a batalhas astrais, guerras mágicas, exorcismo.
A Torre corresponde também ao mistério da Fénix, que ressuscita das cinzas renovada. É a capacidade de renascer, de mudar radicalmente após crises purificadoras (passando das seduções do Diabo para a Estrela). Na carta, é frequente representar-se, a jorrar da brecha formada pelo golpe, um brilho dourado ou outra substância que simboliza as forças potenciais libertadas. Na tradição maçónica, a torre simboliza a coluna Jaquim e o fogo primordial, 'com o qual tudo começa e com o qual tudo termina'. Também as pedras da Torre simbolizam a dureza e rigidez da alma humana, a rigidez da consciência. As imagens das figuras que caem da Torre variam nos diferentes baralhos. Por vezes, um é um rei, perdendo a coroa em pleno voo, e o outro é um pobre de trapos. É uma sugestão de que ninguém escapará a crises purificadoras e à revisão de conceitos na vida. Ao Destino Todo-Poderoso é completamente indiferente o lugar que o homem ocupa na hierarquia deste mundo. Por vezes, são um homem e uma mulher, significando então uma associação com a queda do homem e o preço por ter cedido às tentações do Arcano anterior. Por vezes, a Torre é associada à 'espada de fogo' à entrada do Éden. O exílio é aqui refletido na forma de o homem cair num mundo inferior e atrair sobre si a ilusão da materialidade.
A Torre é o eixo do mundo que incorpora a evolução espiritual, dirigida para as alturas divinas. Ezoicamente, este Arcano representa também o segredo da interação do pensamento (representação) e da palavra. A alma humana, para que o criado interior seja manifestado exteriormente (para que a palavra seja dita), volta-se para dentro de si. Mas a palavra dita destrói a anterior integridade interior e, ao falar, a pessoa deixa de compreender o sentido do que disse e de tocar criativamente a essência das coisas. Daí a frase paradoxal à primeira vista 'O pensamento expresso é uma mentira'. Quando a pessoa compreende o verdadeiro poder da palavra, na maior parte das vezes cala-se (exemplo disso são os ascetas silenciosos).
A carta pode apenas avisar que a construção é instável, as forças não são tão grandes e a compreensão não é tão completa quanto parece, e que como resultado do abuso do dom divino pode ocorrer uma desgraça. Exemplo típico: a catástrofe de uma pessoa que brinca com forças mágicas fora do seu poder e compreensão, ou de um sensitivo que exagera as suas capacidades e (semi-inconscientemente) lucra com as desgraças alheias. A Torre é, desde há muito, considerada uma carta de admoestação para quem busca conhecimentos ocultos. Diz que, seduzido pela possibilidade de governar este mundo em vez de procurar a sabedoria e o crescimento espiritual, perderás tudo o que conseguiste alcançar. A razão – o uso incorreto da força. Não é por a teres manifestado em princípio, mas por a teres direcionado. Seguindo o caminho espiritual, não é ESTE mundo que o homem deve tentar conquistar. Neste ponto da busca, ainda existe a tentação de se avaliar em termos deste mundo – pela impressão que causa nos outros, pela posição e estatuto terrenos. Mas se trocares o crescimento espiritual por conquistas materiais óbvias, perderás tudo, e no sentido hermético o XVI Arcano é sobre isso. OU TE APROPRIASTE DE UM PODER QUE NÃO TINHAS, OU ASPIRASTE A UM OBJETIVO PARA O QUAL NÃO TINHAS DIREITO. Simboliza o colapso do intelecto presunçoso que tentou dominar o Conhecimento Secreto.
Mudanças chocantes. Decisão repentina de mudar de emprego (ou mesmo de profissão). Despedimento 'como um raio em céu azul', saída com estrondo e barulho, 'batendo com a porta'. Brigas, stresses, destruição de relações comerciais.
Fracassos profissionais. Derrota na luta concorrencial. Colapso grandioso. Fecho repentino de um projeto. Falência de uma empresa.
Descobre-se subitamente que os planos são irrealistas, não foram pensados para as forças humanas, e, portanto, estão condenados ao fracasso. Fiasco. Situações em que a pessoa sente que todo o seu trabalho foi em vão e o sentido da vida também se foi algures. Perda de prestígio e influência, colapso da carreira, destituição do cargo, afastamento. Catástrofe como resultado do abuso de poder. Empreendimento arriscado, negócio pouco fiável, empresa instável. Pela Torre, profissionalmente, passam principalmente militares e desportistas. Pode também ser um indicador de profissões relacionadas com a limpeza de espaço, destruição do antigo (e isso pode ser psicoterapia radical).
A Torre pode indicar literalmente alguma casa ou edifício, bem como o perigo deles proveniente. Incêndio, destruição, roubo. Decisão repentina de mudar de residência. Estruturas financeiras construídas como um castelo de cartas. Base duvidosa do negócio, se o passado vier à tona, começarão vários tumultos ('Não te preocupes, Kozlodoev, vamos todos presos!'). Falência, colapso financeiro, crise económica. Destruição do negócio, perdas financeiras. Necessidade, pobreza, privações, miséria. Rompimento de um negócio.
Aqui, como em tudo o resto, a Torre traz rutura e libertação. Se a pessoa sente mais 'rutura' ou mais 'libertação', isso é outra questão. Por vezes, pela Torre, passa apenas um conflito, e por vezes – um impulso sexual indomável, por vezes uma coisa transforma-se na outra... mas em qualquer caso, é uma explosão e libertação de sentimentos há muito acumulados e reprimidos. Se se esteve a reprimir algo, a conter, a sofrer, a calar, a esperar, então a Torre é a hora da explosão. As repressões desmoronam-se, as rédeas partem-se, a paciência rebenta, ou seja, a margem de segurança acaba, por vezes de forma completamente traiçoeira. A direção da interpretação da Torre pode por vezes adivinhar-se precisamente por ter havido ou não este período de 'contenção nuclear' antes, se o mecanismo de relógio estava a fazer tique-taque. O caráter anterior da relação também pode dar uma pista. Se a situação era sentida como um beco sem saída, e a relação (ou a sua ausência) lembrava fortemente ao próprio uma prisão, a Torre é 'arrombou a porta e saiu'. Por vezes, é vivida positivamente, aproximadamente como um condenado à prisão perpétua vive a inesperada destruição da prisão durante um terramoto – ele sai para a liberdade, sem sentir qualquer nostalgia pelos destroços. A Torre pode significar o colapso de relações anteriores, que pareciam estáveis e imutáveis, ou uma prova muito severa do amor ou da amizade, após a qual a opinião sobre os próximos muda. As antigas palavras 'colapso como resultado de julgamentos incorretos e abuso do livre-arbítrio' são absolutamente precisas, e só se pode sentir até que ponto isso é verdade depois de passar por todas as peripécias da Torre. Outro seu significado – 'tempestade purificadora'. E ainda outro – 'cinzas'. Qual deles está mais próximo da verdade neste caso, ainda terá de ser descoberto. Crise de casamento, divórcio. Pela Torre, ocorrem frequentemente alguns 'desmascaramentos' – a verdade há muito escondida irrompe, surge uma compreensão súbita da verdadeira essência dos eventos. Pode ser a consciencialização da própria insatisfação com o casamento, o facto da traição, e outros golpes inesperados ('tudo se misturou na casa dos Oblonsky'). Pela Torre, ocorre a revelação de segredos e a dissipação de ilusões. Perda súbita do cônjuge, que abala o chão. Na prática, houve um caso em que a Torre indicou uma viuvez súbita, a morte da esposa, e a pessoa, na surpreendente consciencialização da sua vulnerabilidade, ficou com um filho pequeno nos braços, tendo de construir uma vida completamente nova. Em parte, a carta indica tirania e opressão (importa o contexto da leitura), a situação também pode ser perigosa, ameaçadora, propensa à violência. A Torre carrega uma energia sexual considerável. O relâmpago assume por vezes a forma do signo zodiacal Escorpião, e a própria torre é vista como um símbolo fálico. Simboliza o poderoso poder orgásmico das emoções que foram reprimidas durante muito tempo, mas finalmente libertadas. Portanto, por vezes, pela Torre, passa um amor súbito, que 'surgiu diante de nós, como um assassino que salta de uma viela escura, e nos atingiu a ambos de imediato! Assim atinge um relâmpago, assim atinge uma faca finlandesa!' A carta direta é associada à ereção e à ejaculação (a invertida, correspondentemente, a problemas nesse departamento; há também a opinião de que pode indicar um nascimento secreto). Pela Torre, é possível sexo espontâneo, muito apaixonado, inesperado para a própria pessoa, e por vezes violento. Por vezes, por ela, passa uma paixão que destrói consideravelmente a vida das pessoas que apanha. 'Tudo aconteceu' – mas abrir os olhos e olhar à volta depois desta explosão atómica é simplesmente assustador para eles... Para uma pessoa solitária, que vive com uma sensação de estagnação total e cansada da solidão, a Torre é uma carta quase otimista. Diz que algo vai acontecer! Não é certo que seja uma grande felicidade, mas, em todo o caso, a existência aborrecida e tranquila terminará, conseguirá sair do calabouço da letargia. Acontece que a pessoa está disposta a arriscar, apenas para ultrapassar a inércia, e nem a perspetiva de ficar na miséria a assusta muito (embora a energia da Torre seja tal que é pouco provável que a outra pessoa também fique incólume). Uma taróloga contemporânea, que escreve sob o pseudónimo AlmaZ, diz o seguinte sobre a Torre: «A carta pode representar um período em que a pessoa decide fazer algo que nunca fez, seguindo o princípio: agora ou nunca. Aqueles que casaram com a pessoa errada, separam-se; os solteiros apaixonam-se e casam; as mulheres que nunca tiveram filhos usam a última oportunidade para engravidar, e aqueles que trabalharam anos num emprego aborrecido, despedem-se e vão a pé para os Himalaias. Para a felicidade e o crescimento, tudo o que é padrão tem de ir embora, para que, em seu lugar, desperte o que durante tanto tempo esteve adormecido nas profundezas do nosso ser».
Doenças do tipo 'como um raio em céu azul'. Fraturas, lesões acompanhadas de dor aguda. Acidentes, ferimentos. Queimaduras. Choque. Por vezes, pela Torre, ocorrem curas repentinas, a doença é 'expulsa' e 'erradicada', mas isso também abala o organismo até aos alicerces. Operações cirúrgicas. Radioterapia e quimioterapia. Pela Torre, passam sintomas de libertação do organismo de toxinas – febre alta, vómitos, várias erupções cutâneas. Hemorragias, abcessos, supurações, ataque de apendicite, rutura de quisto. Ataque cardíaco, enfarte, AVC. Crise de idade. Colapso nervoso, frustração severa. Ataques de pânico. Perturbações mentais, mais de cariz psicopático do que neurótico (a velha definição humorística: o neurótico é aquele que não dá paz a si mesmo, o psicopata é aquele que não dá paz aos outros). Estado de choque emocional. Saúde debilitada (por exemplo, como resultado de exposição à radiação). Em casos excecionais – morte (catástrofe, acidente).
Há a opinião de que a posição invertida suaviza a ação da Torre: o construído não será destruído até aos alicerces. Torna-se menos sinistra e catastrófica. Pode ser um caos não tão forte, mas que durará mais tempo. Ou pode ser apenas um adiamento da mudança, que ainda terá de ser enfrentada. Pode ser também um infortúnio felizmente evitado no último momento. Mas, geralmente, mesmo a Torre invertida traz ansiedade e dor. Na posição invertida, a carta fala de uma forte dependência das circunstâncias existentes, que no momento presente não podem ser mudadas – as possibilidades são limitadas, a individualidade está oprimida. A pessoa segue as suas próprias pegadas pelo mesmo caminho, vive na mesma rotina, amadurecendo para uma crise de desenvolvimento, ignora os sinais de alarme e apega-se ao status quo. Adia as mudanças necessárias, suavizando uma situação prestes a explodir. Por vezes, pela Torre invertida, a pessoa nega obstinadamente a crise, as tensões na relação ou mesmo a violência que está a ser cometida, como se ela não existisse. A carta também aconselha a não apressar a destruição de velhas relações e laços, sendo melhor resolver a questão pacificamente, evitando escândalos e conflitos.
Tradicionalmente, acredita-se que tem um significado restrito: tirania, opressão, cativeiro. Engano. Vergonha. Opressões, perseguições. Na tradição francesa, a Torre invertida simboliza o encarceramento, pois, segundo a lenda, foi ela que Napoleão retirou no dia da sua partida para a Ilha de Santa Helena.
Com o Louco – perigo devido a desatenção, imprudência
Com o Mago – preço a pagar pela permissividade
Com a Imperatriz – egoísmo e risco de ficar sozinho; perigo de falência
Com o Imperador – necessidade de defender os seus interesses, de proteger as suas conquistas com dificuldade
Com o Hierofante – as buscas espirituais seguiram um caminho errado; crise de fé, possível envolvimento numa seita ou cair sob o domínio de um 'guru' caseiro
Com os Enamorados – necessidade de tomar rapidamente uma decisão crucial
Com a Carruagem – advertência severa de acidente, desastre na estrada. Se não se prevê estrada, então cartas de controlo, vitória, triunfo na luta.
Com o Eremita – solidão devido a uma presunção injustificadamente elevada
Com a Roda da Fortuna – ocorrerão mudanças grandes e inesperadas na vida
Com a Força – aparecerão pessoas extremamente fortes e pouco amistosas no círculo social
Com a Morte – 'impacto rápido de forças poderosas'. Acidentes, lesões, ocorrências dolorosas. Tradicionalmente, esta combinação é um prenúncio de uma catástrofe iminente, no sentido literal ou figurado.
Temperança – enfraquece a ação da Torre.
Com a Estrela – quaisquer que sejam os abalos, não se deve entristecer, tudo é para melhor. A serenidade e paz da Estrela acalmam a tempestade da Torre.
Com o Sol – problemas de saúde, depressão. Também esta combinação é considerada um aviso para não pedir emprestado nem investir dinheiro. Outro significado – iluminação intensa, revelação.
Com o Seis de Paus – aprovação, orgulho, sucesso.
Com o Cinco de Ouros – tempos muito difíceis, especialmente em termos financeiros.
Com o Nove de Ouros – 'monte de problemas' (segundo Guggenheim)
Dedo de Deus
Descida do Espírito Santo
Ragnarök (fim do mundo pelo fogo na mitologia germânica e escandinava)
Queda de Sodoma e Gomorra
Ruínas da Babilónia
Dança de Shiva
«Sofrer é revestir-se de imortalidade».
«Verdadeiramente o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia! Quão terrível é este lugar! Isto não é senão a casa de Deus, esta é a porta dos céus» (Génesis 28:16-17).
Cartas do mesmo grupo

O Louco

O Mago

A Sacerdotisa

A Imperatriz

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Os Enamorados

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A Força

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A Justiça

O Enforcado

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O Sol

O Julgamento
